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ILHA DE SÃO PEDRO

 

          Dentre as nove povoações de Porto da Folha, Ilha de São Pedro é a mais antiga. Ali entrou em atividade a primeira sede do município com o orago Freguesia de São Pedro do Porto da Folha.

          No final do século XVIII a tribo xocó, remanescente de vários outros grupos indígenas, possuía cerca de 300 famílias vivendo do artesanato, caça, pesca e do cultivo da mandioca. Influenciados pelos costumes europeus implantados pelos invasores, incluindo sacerdotes capuchinhos e jesuítas ministrando o catolicismo como principal religião, os índios findaram perdendo parte de sua cultura, principalmente na fase que foram expulsos de suas terras pelos grileiros. A posse ilegal das terras por fazendeiros motivou a fuga de boa parte dos Xocó para Alagoas, especialmente os que viviam na Caiçara; contudo, cerca de oito famílias resistiram às pressões permanecendo na Ilha de São Pedro. A enfraquecida tribo passou por grande privação até o reconhecimento dos seus direitos pela Justiça.  Apoiados pela tribo Kiriri, de Colégio/AL, os desertores Xocó conseguiram em 1978 recuperar sua identidade e o direito de reaver parcialmente suas terras. A partir daí a tribo se organizou a ponto de resgatar e manter costumes importantes como o toré (ritual sagrado realizado afastado da aldeia com dança, indumentária típica e bebida de jurema); embora alguns tenham adotado o catolicismo como principal religião, toda vez que acontece missa na localidade os índios dançam o toré nas imediações da matriz.

          Na década de 90 a Ilha de São Pedro foi reconhecida como reserva indígena dos xocó, porém a luta pela recuperação integral da fazenda Caiçara, ainda ocupada por fazendeiros, continua. No ano 2005 a Ilha de São Pedro contava com um aglomerado de 59 casas e cerca de 250 índios sobrevivendo da pecuária, pesca, cerâmica e do cultivo de gêneros alimentícios.