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Miguel Silva Santana

(Coronel/Subcomandante da PM/SE)

         

          Miguel Silva Santana nasceu dia 08/05/1935 em Porto da Folha, primogênito filho de Eliezer Joaquim de Santana e Rosa Silva Santana (D.Rosinha).

          Consta que nesta ocasião seu pai era cabo da PM e se achava no destacamento do Mocambo, e sua mãe teria vindo visitar a sogra em Porto da Folha quando se deu o parto prematuro, porém a certidão de nascimento foi feita na cidade de Propriá devido a necessidade de manter a criança sob cuidados de médico naquela localidade. Após recuperação retornaram para Aracaju, e ali Miguel viveu sua infância e adolescência ao lado de irmão Aguinaldo, nascido em 1936.

          Aos 19 anos, após servir ao exército e concluir o 2º grau, Miguel esteve na capital paulista em busca de emprego e também continuar os estudos, mas a vida corrida em São Paulo não lhe permitia êxito no objetivo principal; então decidiu retornar a Sergipe e seguir a profissão do pai, Ingressando como cabo na Polícia Militar em 1957, e no decorrer deste mesmo ano obteve quatro promoções por merecimento decorrente da habilidade adquirida na atenta observação do ofício do pai. Diz-se que Miguel, antes de entrar na PM, já possuía a experiência de um militar de primeira linha, assim, em 1959, foi declarado Aspirante a Oficial, e promovido a 2º Tenente em 1960, e a 1º Tenente em 1961. Em 1962 obteve a patente de Capitão. E foi no posto de Capitão que Miguel Silva Santana foi muitas vezes requisitado para solucionar problemas de vandalismo ou desordem em várias cidades do interior de Sergipe, obtendo plausível êxito nestas missões, pois onde o Capitão Miguel prestou serviços, a segurança da cidade se normalizou. Houve um caso muito polêmico em Maruim, ocasião em que um famoso desordeiro, não gostando do envio do Capitão Miguel para aquele destacamento, o desafiou. Este caso terminou em morte, pois o meliante, armado, procurou o Capitão e lhe disse: na minha frente vejo um capitãozinho de merda, e ambos se enfrentaram como num duelo norte americano de xerife e bandido. Finalmente o Capitão Miguel foi mais rápido no gatilho e o bandido tombou morto. Com a paz restabelecida naquela comunidade, a população de Maruim agradeceu profundamente o empenho do Capitão Miguel na solução de um grave problema. Daí em diante, quando surgia caso semelhante em outra localidade, a Segurança Pública de Sergipe escalava o Capitão Miguel para resolver o pepino.

          No cargo de Delegado, Miguel Silva Santana atuou nas maiores cidades de Sergipe, entre as quais: Itabaiana, Simão Dias, Propriá e Estância. Promovido a Major em 1973, Miguel foi indicado para assumir a diretoria do CIRETRAN durante certo período de 1974 na cidade de Lagarto, certamente havia por lá algum problema a ser solucionado no setor.

          Dentro da corporação, Miguel Silva Santana era considerado homem rígido em disciplina, muitas vezes tido como muito rigoroso nas decisões que tomava em prol da ordem e da segurança pública, mas como civil era homem dócil, simples e cordial. Em paralelo com as atividades na corporação militar, Miguel foi preparador físico do Itabaiana Futebol Clube em 1971, e da Associação Desportiva Confiança por volta de 1977.

          FORMAÇÃO

          Além do inconfundível talento, para alcançar o posto de Coronel, o portofolhense Miguel Silva Santana concluiu os seguintes cursos: Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais; Curso Geral de Polícia, na academia de Washington, nos Estados Unidos; Curso Superior de Polícia, na Academia Nacional de Polícia, em Brasília/DF; Curso Técnico em Contabilidade, na Escola Técnica de Comércio de Sergipe; Curso de História, ministrado pela CADES; Curso Básico de Atualização em Educação Física (promovido pelo Departamento de Educação Física e de Cultura, da Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Sergipe), e por último o Curso de Ciências Jurídicas e Sociais (Direito), pela Universidade Federal de Sergipe, concluso em 1978.     

 

          Em 31/03/1978, Miguel Santana foi promovido a Tenente-Coronel, e em 21/04/1981 promovido a Coronel, assumindo em determinadas ocasiões o subcomando da Polícia Militar de Sergipe.

          Reconhecido por seus méritos, Miguel Silva Santana foi homenageado pelo Ministério do Exército (6ª Região Militar), por sua participação na execução da Lei do Serviço Militar, em 1979; e pelo Governo do Estado do Pará, em 1986, com a comenda de “Grão-Mestre da Ordem do Mérito Policial Coronel Fontoura”.

          Na ocasião de sua morte, o Coronel Miguel Silva Santana era o primeiro da fila, e já estava sendo avaliado para, na próxima substituição, assumir o Comando Geral da PM/SE, mas este sonho foi frustrado pelo trágico acontecimento no Estado da Bahia.

          A convite do amigo Manoel Eronides Costa, dono da relojoaria Requinte em Itabaiana, aproveitando o dia de folga, Miguel viajou com o comerciante no dia 04/11/1987 para a cidade de Itabuna afim de ajudar a solucionar um problema de cheques de um cliente da relojoaria. Ambos viajaram pela manhã no opala comodoro conduzido pelo comerciante, Tudo leva a crer que o problema foi resolvido, porém, no retorno para Aracaju pararam por volta das 23:00h num restaurante nas proximidades de Alagoínhas, jantaram  e continuaram a viagem de retorno a Sergipe. Acontece que naquele trecho da BR-101 vinha acontecendo constantes assaltos a motoristas que trafegavam a noite pelo local. Deduz-se que os assaltantes observaram os dois viajantes portando arma de fogo no restaurante, mas não sabiam que um deles era o subcomandante (ativo) da PM/SE. Os meliantes, então, seguiram na frente e armaram uma tocaia perto do lugar chamado Boa União, parando ali seu automóvel. Os 4 indivíduos fingiram que seu carro havia quebrado, e acenaram com a mão pedindo socorro na justa hora que passava por ali o opala. O comerciante resolveu parar o carro parar averiguar. No momento que parou, os quatro indivíduos sacaram armas anunciando um assalto, de imediato Eronides tentou reagir e foi logo atingido por quatro disparos, morrendo instantaneamente no local, em meio ao tiroteio, dois disparos atingiram o Coronel Miguel, que chegou a se identificar, mas era tarde demais. Ao ouvirem a voz de Miguel, os bandidos saíram em fuga levando o automóvel e alguns pertences das vítimas, no entanto o Cel. Miguel não morreu ali, ficou no acostamento da pista, ensanguentado pedindo socorro durante aproximadamente 30 minutos, e nenhum carro parava para socorrer. Por sorte um caminhoneiro avistou um homem ensanguentado dando com a mão na beira da pista e avisou a Polícia Rodoviária Federal do posto mais próximo. Quando os policiais chegaram ao local, o Cel. Miguel estava vivo, e no trajeto para o hospital de Alagoínhas contou com detalhes o que havia acontecimento. No hospital Dantas Bião, de Alagoínhas, o Cel. Miguel foi submetido a atendimento de urgência, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito nas primeiras horas do dia 05/11. 

          A partir das informações de Miguel, a polícia baiana entrou em ação e em poucos dias esclareceu o duplo assassinato. Surpreendentemente dois dos assaltantes, Wellington Almeida Lira e João Batista Gomes da Silva, eram soldados da PM/BA, e faziam parte da quadrilha que assaltava bancos no interior da Bahia e assaltava motoristas ao longo da BR-101, trecho entre Santo Antônio de Jesus e Alagoínhas. Em resumo, os bandidos foram todos presos e punidos de acordo com o regulamento.

          O Coronel Miguel Santana era casado com a portofolhense Maria José Moreira Santana, com a qual teve dois filhos: Eliezer Santana Neto (in memorian) e Pedro Marcelo Moreira Santana.

          Acabou-se dessa forma, no dia 04/11/1987, o homem que tanto lutou pela segurança pública de seu Estado e fez mudar a cor do fardamento da polícia, do caque para o azul claro . O Coronel Miguel Silva Santana, naquela ocasião, era chefe do Estado Maior e Subcomandante da PM/SE. Em sua homenagem seu nome foi dado ao Auditório da PM/SE: “Auditório Coronel Miguel Santana”, localizado no Quartel Central Geral em Aracaju, também seu nome foi dado a uma rua de Porto da Folha, bem como a uma delegacia de polícia do interior sergipano.

          Pelos bons serviços prestados a Segurança Pública do Estado de Sergipe, a comunidade portofolhense o tem como Filho Ilustre.

 

Obs.: Alguns dados desta biografia foram transcritos do livro “Porto da Folha – Fragmentos da História e Esboços Biográficos, páginas 361, 362 e 363”, de Manoel Alves de Souza.