Sua versão do navegador está desatualizado. Recomendamos que você atualize seu navegador para uma versão mais recente.

ILUSTRES

 

Uma importante contribuição de Manoel de Souza Lima (Manezinho Delegado) para a cidade de Porto da Folha foi, sem dúvida, o Cine Teatro Santo Antônio, instalado por volta de 1950.

 

 

Durante quase duas décadas o cinema funcionou utilizando-se da eletricidade à motor e sob a coordenação de Manezinho.

Com a chegada da luz de Paulo Afonso, o velho cinema foi alugado e reformado, passando a funcionar sob a direção de Acrísio Azevedo.

Além da exibição de bons filmes, também se apresentaram no palco do atrativo ambiente cantores famosos, a exemplo de José Augusto sergipano, Dominguinhos e Anastácia, Lili Melo e sua gente, Clemilda e Gerson Filho, Roberto Muller, Paulo Diniz e muitos outros.

Com a aquisição de televisores por parte dos de melhor poder aquisitivo, o velho cinema foi se acabando. Acrísio entregou o prédio porque a renda atingiu ponto crítico.

Assim o Cine Teatro Santo Antônio, que foi palco de grandes apresentações, fechou suas portas em definitivo, deixando eterna saudade para quem assistiu ali bons filmes. 

 

 

Manoel de Souza Lima

(Exator, Vereador e vice-prefeito)

 

 

        Manoel de Souza Lima, conhecido pela alcunha ‘Manezinho Delegado’, nasceu em Porto da Folha aos 18/10/1910, filho de Pedro de Souza Rito e Josefa Maria dos Prazeres.  Sua magnitude de cidadão portofolhense foi reconhecida pela comunidade local quando ainda era muito jovem, tendo como destaque a retidão de seus atos. Demonstrou em todos os mementos da juventude ser um homem correto e dotado de inteligência, tanto quanto seu irmão Gonçalo de Souza Lima (Padre Lima), 10 anos mais velho.

        Manoel de Souza Lima concluiu o curso primário na terra natal e ensino médio em Aracaju, posteriormente contraiu matrimônio com Estefânia Poderoso, filha de pessoas influentes da localidade na ocasião.

        Em sua juventude foi qualificado por Dr. Luiz Loureiro Tavares como pessoa portadora de grande talento, capaz de exercer cargo de confiança em qualquer cidade sergipana. O incentivo dos Tavares foi crucial para a elevação do prestígio de Manezinho ante os conterrâneos, tanto é que em 1935, com 25 anos de idade, foi nomeado para assumir a delegacia de local, mas permaneceu por pouco tempo. Na gestão do prefeito Manoel Ananias dos Santos em 1939, Manezinho foi novamente escolhido para assumir a Delegacia de Porto da Folha. A partir deste ponto passou a ser conhecido pela alcunha “Manezinho Delegado”, mas ele não possuía apenas a essência de homem da lei, era também um líder político de grande aceitação. Logo após a derrota com uma diferença de apenas 13 votos para o vitorioso “Totoínho Dória” na primeira eleição constitucional para prefeito de Porto da Folha em 1947, Manezinho manteve intacta sua popularidade, sobretudo porque a maioria dos portofolhenses achou que houve erro na contagem dos votos em Gararu. Em sequência, na eleição complementar de janeiro de 1951, Manezinho foi eleito vereador e reeleito no pleito seguinte em outubro de 1954. 

        Levando em conta sua competência no desempenho do cargo de delegado e vereador atuante, findou conquistando emprego de boa remuneração na Exatoria local; neste setor chegou a assumir o cargo de chefe.  

        Quando nos referimos à diversão e lazer em Porto da Folha! Lembramos de Manezinho Delegado, que teve fundamental importância nesta área, principalmente quando se destacou como membro fundador da Banda de música conhecida por “Filarmônica de Porto da Folha”, tendo, inclusive, adquirido instrumentos novos em São Paulo para enaltecer a referida.

        Manezinho Delegado foi quem implantou o primeiro cinema em Porto da Folha com a denominação “Cine Teatro Santo Antônio”, inaugurado logo após o funcionamento do gerador de eletricidade à motor, instalado na gestão do prefeito Totoínho Dória; portanto, nada mais justo que conceder a ele o título de precursor da diversão e lazer em Porto da Folha.

        Após se aposentar como exator, Manezinho marcou nova presença na política local elegendo-se vice-prefeito em 1970 pela (Arena), na chapa de Antônio Pereira Feitosa.

Manoel de Souza Lima também foi visto como homem de razoável condição financeira devido possuir, na maturidade, alguns imóveis em Porto da Folha, duas casas em Aracaju, uma propriedade no loteamento denominado “Quiribas” e outra no Picui; conquistas que comprovam seu esforço e dedicação ao trabalho.

        Manezinho Delegado, pessoa portadora de grande caráter, em seu único matrimônio com dona Estefânia Poderoso não existiu geração de filho, mas o casal adotou Francisco Rodrigues da Silva (Parrudo) e em seguida Cleonice Santos, mais adiante adotou também Carlos Roberto da Silva (Robertinho de Parrudo). Além destas, ele e sua esposa tiveram cerca de 200 afilhados na região. Entristecido com a morte de dona Ester na década de 90 e com sério problema na visão, o idoso passou a ser assistido gentilmente pelos filhos adotivos, uma senhora de nome Rosa e Gilson Santana, vindo a falecer com 101 anos de idade em 08/03/2012.

        Por sua luta em prol da comunidade portofolhense e outros feitos que contribuíram para o enaltecimento de sua conduta, Manoel de Souza Lima é considerado filho ilustre desta terra pela maioria dos buraqueiros que o conheceu pessoalmente.

 

Texto de Joaquim Santana Neto, com base nas informações colhidas junto a comunidade portofolhense e outros escritos.