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ATUAÇÃO DOS INTENDENTES

E PRIMEIROS PREFEITOS EM PORTO DA FOLHA

 

          Durante seis anos o conselho de intendência, mencionado na página 56, atuou em defesa do município.  

 

           O efeito da lei 194, de 11 de fevereiro de 1896, tardiamente confirmou, em 11/11/1896, a elevação de Porto da Folha a condição de cidade. A partir deste importante acontecimento, os futuros administradores passaram a ser chamados “Intendente” ou “Prefeito”  no caso de eleito por votação popular, com obrigações idênticas as da atualidade. No caso de Porto da Folha, o primeiro a usufruir deste título, segundo informações dos mais idosos, foi o senhor JOÃO ALVES FEITOSA FRANCO, ao assumir interinamente o cargo de intendente em substituição ao conselho anteriormente definido. Muitos mantêm como consistente a informação de que o Sr. João Alves Feitosa Franco (pai da falecida esposa do saudoso Cícero Gabino)foi o primeiro prefeito eleito por votação em Porto da Folha, outros afirmam que foi nomeado pelo governo.

 

          Durante a primeira metade do século XX Porto da Folha contou com os seguintes administradores:    

 

João Alves Feitosa Franco (.......); 

José Gonçalves de Gouveia Lima (1929-1930) - eleito; 

José Xavier de Melo (1930-1931) - biônico; 

Temístocles Pereira (1932-1935) - biônico; 

Francisco de Sá Cardoso (1935-1936) - biônico; 

José Teixeira de Souza (1936-1939) - eleito; 

Manoel Ananias dos Santos (1939-1940) - biônico; 

Armando Mendes (1940-1941) - biônico; 

Joaquim Gomes de Almeida (1941-1942) – biônico; 

Manoel Ramos dos Santos (1942-1945) - biônico; 

Antônio Gonçalves Dória (1945-1946) – biônico; 

Cícero Gerônimo Poderoso (1946-1946) biônico; 

Antônio Rito de Melo (1946-1946) – biônico; 

Lindolfo Alves de Souza (1946-1947) – biônico; 

 

          De acordo com informações colhidas em Porto da Folha, houve a passagem dos seguintes administradores na prefeitura local, porém não existe documentação que comprove tais ocorrências.

 

Cap. Manoel Gitirana de Santana (?);

Juvito de Sant'Ana (?);

Antônio José Pereira (?);

Antônio Machado (?);

Francisco Alves da Rocha (?).

 

           A respeito destes cavalheiros, pessoas de geração anterior a minha, afirmaram que o intendente capitão Manoel Gitirana de Santana teria vindo a Porto da Folha com o propósito de favorecer aos interesses dos Brito na elaboração do documento denominado “contrato do Belém”, que retirou dos índios o domínio das terras; fato que também não existe comprovação.

           Francisco Alves da Rocha possivelmente tenha ocupado o cargo de chefe municipal durante curtíssimo período após Feitosa, entretanto não existe prova concreta.

           Antônio Machado pode ter atuado como intendente ou prefeito durante pouco tempo; também não há confirmação exata. 

 

José Gonçalves de Gouveia Lima, na visão do professor Manoel Alves de Souza, foi homem de grande prestígio em Porto da Folha. Zuza do Farias, como era popularmente conhecido, teve fundamental importância na política local. Na verdade um vulto portofolhense, ilustre por seus feitos dedicados a esta terra. Zuza do Farias foi eleito prefeito/ intendente; conduziu a chefatura local entre janeiro de 1929 e novembro de 1930, ocasião em que tomou a iniciativa de instalar um barracão para abrigar os feirantes. Zuza do Farias teve seu mandato suspenso pelo movimento da Revolução de 1930. 

 

José Xavier de Melo, conhecido na região pela alcunha “Ioiozinho Xavier”, assumiu a prefeitura de Porto da Folha em novembro de 1930 na condição de intendente nomeado por José de Calazans. A gestão de Ioiozinho durou aproximadamente 06 meses, terminou em julho de 1931 quando foi empossado o Dr. Temístocles Pereira. 

 

Temístocles Pereira, na mesma condição de intendente, nomeado por Augusto Maynard Gomes, conduziu a prefeitura entre 1932 e 1935. Apreciado como intelectual em suas convicções, Temístocles se tornou benquisto ao sugerir o aproveitamento das águas da grota que desce da serra da cordilheira da lagoa comprida, construindo naquela ocasião o famoso o tanque novo. 

          Pelas divisões administrativas de 1911 e 1933, o município de Porto da Folha consta como distrito único e termo judiciário da Comarca de Propriá.    

Francisco de Sá Cardoso, nomeado prefeito de Porto da Folha pelo governador Eronides de Carvalho, administrou o município entre abril e dezembro de 1935. Nenhuma obra ou benfeitoria foi verificada neste período.

José Teixeira de Souza, através de votação elegeu-se prefeito em outubro de 1935, cujo mandato se deu entre 1936 e 1939. Neste período, sob a coordenação do referido gestor, foi construído e inaugurado o primeiro mercado municipal de carnes, com a descritiva “talho de carne verde” acima da porta de entrada principal.   

           

O tenente da PMSE, Manoel Ananias dos Santos, em sua gestão como prefeito, nomeado por solicitação do interventor Eronides de Carvalho, conduziu Porto da Folha entre 1939 e 1040, concluindo neste período a instalação do antigo mercado municipal (mercado da farinha) no espaço onde atualmente se acha a Praça Manoel Caio Feitosa.

          Pelas divisões administrativas de 1911 e 1933, o município de Porto da Folha consta como distrito único e termo judiciário da Comarca de Propriá.    

Francisco de Sá Cardoso, nomeado prefeito de Porto da Folha pelo governador Eronides de Carvalho, administrou o município entre abril e dezembro de 1935. Nenhuma obra ou benfeitoria foi verificada neste período.

O tenente Armando Mendes, nomeado em comissão prefeito de Porto da Folha através interventor Eronides de Carvalho, gerenciou o município durante cerca de 8 meses. Consta que Armando Mendes se empenhou na edificação de um novo quartel de polícia, cujo objetivo adiante foi anulado por seu substituto.

         

Joaquim Gomes de Almeida, do povoado Ilha do Ouro, assumiu a prefeitura de Porto da Folha em julho de 1941 através da indicação feita pelo interventor Milton Pereira de Azevedo.

          Segundo informações do historiador Manoel Alves de Souza, em seu livro “Porto da Folha na Revolução de 1930”, o prefeito Joaquim Gomes de Almeida, a princípio não foi muito aceito pela comunidade portofolhense; entretanto ficou na história em face de haver optado pela alteração do projeto de seu antecessor Armando Mendes. O prédio que seria um quartel de polícia, passou a ser construído de forma diferente; o que seria uma prisão virou escola, talvez a mais famosa que temos atualmente em Porto da Folha. A unidade escolar sugerida pelo gestor foi inaugurada 1942 com a denominação “Escolas Reunidas Cel. Maynard Gomes”, coincidindo o fato com o retorno de Augusto Maynard Gomes ao governo de Sergipe.

 

Manoel Ramos dos Santos, Capitão da PM nomeado prefeito pelo interventor Augusto Maynard Gomes, se manteve como chefe do executivo portofolhense entre 1942 e 1945, porém não se têm notícia de que tenha executado alguma obra ou benfeitoria no ambiente, a não ser sua influência na aquisição das terras do Araticum pelo governo do Estado, cujo lote adiante foi fatiado entre posseiros.

  

          Em 27 de outubro de 1945, Augusto Maynard Gomes afasta-se do poder, passando o cargo para Francisco Leite Neto permanecer até a posse do ilustre sergipano Hunald Santaflor Cardoso em 05/11/1945. A agitação tomou conta de Sergipe neste final de ano devido ao surgimento de diversos problemas, dentre eles a destituição de Getúlio Vargas.                                             

          Como Interventor Federal, Augusto Maynard Gomes foi visto como um dos mais fiéis ao regime militar em Sergipe. Governou o Estado em duas oportunidades: de 16/11/1930 a 28 de março de 1935, e de 27 de março de 1942 a 27 de outubro de 1945. Ao término de sua primeira administração, passou o cargo para Aristides Napoleão de Carvalho, que ficou apenas três dias no poder.

          Um fato importante aconteceu em maio de 1935 em Sergipe, a instalação da Assembléia Constituinte Legislativa, fruto da eleição do ano anterior, que elegeu como presidente para Sergipe o Dr. Eronides Ferreira de Carvalho, sendo Maynard Gomes derrotado por votação.

          A partir de 1937, em consequência do golpe de Estado ou implantação do Estado Novo, o Dr. Eronides Ferreira de Carvalho foi nomeado para assumir o governo de Sergipe através de intervenção armada.

          Em 1938 Porto da Folha passa a contar com dois distritos: o da Sede municipal e o de Curituba, continuando seu termo judiciário anexo à comarca de Propriá. Em 1941, o interventor Eronides de Carvalho foi substituído pelo Capitão Milton Pereira de Azevedo, igualmente nomeado por Getúlio Vargas.  Em 27 de março de 1942, Augusto Maynard Gomes retorna o governo, sendo mais uma vez nomeado por Getúlio Vargas.     

          Pelo decreto da Lei Estadual número 533, de 07 de dezembro de 1944, Porto da Folha continua com seus 2 distritos de paz, porém, seu termo judiciário passa a pertencer à comarca de Gararu.

        

Antônio Gonçalves Dória, através da recente nomeação feita por Augusto Maynard Gomes, assumiu a prefeitura de Porto da Folha em fevereiro de 1945 em substituição a Manoel Ramos dos Santos. No decurso desta gestão de “Totoínho Dória” como prefeito biônico, teve início a construção da rodagem ligando Porto da Folha a Aquidabã, passando por Gararu. Em atenção ao povo desta região, o interventor Augusto Maynard Gomes acatou como prioritária a iniciativa.

          Em outubro de 1945, O interventor federal Augusto Maynard Gomes deixa o poder, momento que assume o nobre sergipano Francisco Leite Neto, permanecendo este até a posse de Hunald Santaflor Cardoso em novembro do mesmo ano. Em 31 de março de 1946 ocorreu aposse do interventor Antônio de Freitas Brandão na governança de Sergipe.   

 

Cícero Gerônimo Poderoso, nomeado por Antônio de Freitas Brandão, assume a prefeitura de Porto da Folha em abril de 1946 em substituição ao prefeito Totoínho Dória. Consta que, na curta gestão de Cícero Poderoso houve empenho no sentido de inovar a iluminação pública com lampiões de melhor qualidade.

É importante observar que nesta época não havia luz elétrica, sequer à motor, e o povo já cobrava dos governantes apoio neste sentido. A gestão de Cícero Poderoso durou apenas 5 meses. 

Antônio Rito de Melo, nomeado pelo interventor Antônio de Freitas Brandão, assumiu a prefeitura de Porto da Folha em setembro de 1946 em substituição a Cícero Gerônimo Poderoso. O ano de 1946 foi bastante agitado em Sergipe devido a promulgação da Nova Constituição Federal, que veio de encontro ao anseio do povo quanto as mudanças essenciais que se faziam necessárias na política.

        Joaquim Sabino Ribeiro, Presidente do Conselho Administrativo do Estado, assumiu o governo de Sergipe em 30 de janeiro de 1947 substituindo Antônio de Freitas Brandão. Sabino Ribeiro permaneceu no poder durante 2 meses, momento que foi empossado, em 29 de março de 1947, o governador José Rollemberg Leite.  

 

Lindolfo Alves de Souza assumiu a prefeitura de Porto da Folha em 11 de abril de 1947 por indicação do recém eleito governador José Rollemberg Leite, em substituição a Antônio Rito de Melo. A gestão de Lindolfo Alves de Souza é bastante significativa, sobretudo porque demarca o momento de transição política vivenciado pelos sergipanos naquele momento.    

 

          O ano de 1946 trouxe significativas mudanças para o País. No lugar de Getúlio Vargas, tomou posse Eurico Gaspar Dutrana presidência da república. Dutra foi eleito Presidente dia 02 de dezembro de 1945 pelo PSD em coligação com o PTB, cuja posse se deu em 31 de janeiro de 1946. A partir deste acontecimento histórico, teve início a série de mudanças importantes do Brasil. Enquanto isso, Porto da Folha vivia a fase final dos Intendentes. 

          Finalmente é chegado o momento de adaptação ao novo sistema político, pelo qual o povo é quem escolhe através do voto seus representantes. Finalmente as eleições em Sergipe e demais Estados da federação são confirmadas para o dia 19 janeiro de 1947, exceto nas capitais e áreas de segurança.