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 ELEIÇÕES ESTADUAIS

           Finalmente é chegado o glorioso dia 19 de janeiro de 1947, pleno domingo de euforia em todo Estado de Sergipe. 

          A cidade de Porto da Folha amanheceu em festa, pois acontecia ali eleições para os cargos de governador, senador e deputados estaduais e federais, cujo pleito se processou dentro da normalidade prevista. José Rollemberg Leite obteve no município 614 votos e Luiz Garcia 222. No Estado de Sergipe a apuração apresentou o seguinte resultado: José Rollemberg Leite: 40.827 votos; Luiz Garcia: 25.793 votos.

           Mesmo diante da grande rejeição, o coronel Augusto Maynard Gomes foi eleito senador com 38.225 votos, superando os 26.466 conquistados pelo forte oponente Maurício Graccho Cardoso. Na ocasião também foram eleitos os deputados federais: Carlos Waldemar Acioli Rollemberg e Godofredo Diniz Gonçalves, também foram eleitos os deputados estaduais: José Corrêa dos Santos (2.383 votos), Manoel Francisco Teles (1.694), Martinho Dias Guimarães (1.227), José de Carvalho Déda (1.134), Antônio Franco filho (1.609), Edélzio Vieira de Melo (1.997), Jocelino Emílio de Carvalho (1.358), Lourival Batista (1.303), Pedro Diniz Gonçalves Filho (1.233), Edgar Britto (1.173), João de Seixas Dória (1.065), Moacyr Sobral Barreto (1.502), Silvio Teixeira (1.346), Pedro Soares (1.230), Pedro Medeiros Chaves (1.146), Flávio Menezes Prado (1.042), Armando Domingues da Silva (657), Orlando Vieira Dantas (507) e Francisco de Araújo Macedo (561). Importante anotação porque estes foram constitucionalistas marcantes na história de Sergipe.

          Nove meses após este acontecimento, os eleitores de Porto da Folha compareceram novamente às urnas, desta vez para eleger o prefeito e vereadores.

 

ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 1947

          Com grande chance de vitória, Manoel de Souza Lima “Manezinho delegado” entrou no rol dos candidatos representando o PR; Antônio Gonçalves Dória (PSD); Cícero Gerônimo Poderoso “Cícero Gabino” (UDN), e Francisco Alves Feitosa (Sinhozinho Bahia) pelo PTB. O eleitorado portofolhense envolvido pelo clima eufórico do momento comemorou o fim do período interventivo, que lhe havia privado durante longo período o direito de escolher livremente seus representantes. A população agradeceu a Deus pela nova mudança na política brasileira.

          A primeira eleição municipal, propriamente dita, aconteceu em Porto da Folha quarta-feira dia 19 de outubro de 1947.

          No final da tarde não teve confirmação de resultado, somente no dia seguinte as urnas foram apuradas na cidade de Gararu em face do termo judiciário local se achar anexo àquele município, cujo resultado surpreendeu a população de Porto da Folha ao apontar uma diferença de 13 votos favorável a Totoínho Dória.

          O mecanismo utilizado na apuração em Gararu jamais foi aceito como correto pelos eleitores do PR na região de Porto da Folha.       

          Com o veredicto final, Antônio Gonçalves Dória (PSD) foi agraciado com título de primeiro prefeito eleito por voto popular constitucional em Porto da Folha. Manoel de Souza Lima ficou em segundo lugar, enquanto os demais concorrentes: Cícero Jerônimo Poderoso e Francisco Alves Feitosa ficaram, respectivamente, com a 3ª e 4ª colocação. 

          Comportando-se como austero e disposto, Antônio Gonçalves Dória gerenciou o município entre 1947 e 1951, igualando sua gestão ao período mandatário do governador José Rolemberg Leite, o primeiro governo sergipano eleito por voto popular após fase interventiva.

          Totoínho conquistou posição de destaque ao introduzir luz à motor na cidade. Entre outras conquistas estão: o início do calçamento parcial, com lajotas de pedra, da Rua Cel. João Fernandes; instalação do serviço de alto-falante e abertura de estradas. Totoínho, enfim, concluiu com êxito sua gestão, tendo sido, de fato, o primeiro prefeito constitucionalista eleito pelos buraqueiros.

        Antônio Gonçalves Dória, portofolhense nascido em 1901, era filho de Domingos Gonçalves Dória e Maria da Conceição Dória; se destacou como político e médio proprietário de terras; fez transitar pelas ruas de Porto da Folha o segundo automóvel, bem como foi o mentor responsável pela construção da primeira rodagem ligando Porto da Folha a Poço Redondo. 

Totoínho faleceu dia 17 de junho de 1983. Não há notícia de que tenha deixado descendente.