Sua versão do navegador está desatualizado. Recomendamos que você atualize seu navegador para uma versão mais recente.

 

Riacho Capivara

 

 

A nossa sede é o tema

Do momento ora chegado,

Em detalhes segue avante

A paisagem do logrado,

Que a princípio surgiu

Lá na vazante do rio

Como um curral de gado.

              

Com sorte o local citado

Foi muito bem escolhido

Na vazante ou vale afável

Deste riacho aguerrido,

Que os antigos, de cara,

Deram o nome capivara

Por causa do seu mugido.

              

Perto da foz deste altivo

A povoação nasceu,

Numa das baixas colinas

Que o remanso teceu.

Foi por isso que algum louco

Apelidou de Buraco

Terras que Tomaz viveu.

                  

Com relação à nascente  

Deste modesto riacho,

No Estado da Bahia      

Principia seu despacho   

Cruza a divisa aceitando         

As grotas que vão formando 

O reino do bicho macho.   

               

Segue firme sua rota    

Pelo mais alto sertão, 

Aqui e ali secando

De acordo com o verão,

Atravessando coxilhas,

Deixando sempre na trilha

Olhos d’água em prontidão.

 

 

Ao lado de Monte Alegre

Já se avista seu leito,

Afoito e perseverante

Cruza serrote com jeito,

Regando na caminhada

A caatinga desfolhada

Meio ao verão perfeito.

              

A cada passo que dá

Em busca do ‘velho Chico’,

Capivara pouco a pouco

Vai se tornando mais rico.

A maior força empenhada

Foi varar a serra amada

Dos homens perto do pico.

   

Da nascente até a foz

A vasão foi bem secreta,

Preferiu formar as curvas

A fluir em linha reta,

Esculpiu várias colinas

Até cair na campina

Da cidade predileta.

      

Na vazante ele deleita

Como quem achou seu ninho,

Nesta parte plana e calma

Penetra muito mansinho

Formando o “S” da sorte

Seguindo sentido norte

Ao encontro do padrinho.

 

Neste espaço da vazante

O capivara foi macho,

Fez realizar os sonhos

Dos de cima e dos de baixo,

Romance impróprio assistiu

Quando emendado ao rio

Peixe bom trouxe pro tacho.


 

Mesmo quando sufocado

Por grave seca extensiva

Nosso velho capivara

Manteve cacimba ativa.

Os mais antigos se encheram

De fartura e de dinheiro

Graças a tal jóia viva.

 

Situação de penúria

Enfrenta freqüentemente

Quando a seca no nordeste

Deixa a cigarra contente.

Meio ao sofrimento forte,

Porto da Folha por sorte,

São Francisco está presente.

 

Por falar no “velho Chico”

Nosso tutor do futuro,

O homem mais uma vez

Com seu infiel desolo

Quer mexer na natureza

Usando sua fraqueza

No desvio deste tesouro.

 

É burrice em exagero

Bulir no curso do rio,

Foi Deus quem o fez assim

Na perfeição que se viu!

Porque agora mudar?

Hão de um dia anular

Este ideal sombrio.

 

É justo dar nota Zero

Á essa besteira humana,

Ainda mais quando fere

Nossa jóia franciscana.

Desviar o rio amado

Será ato desastrado

Que nos deixará na lama.


Joaquim Santana Neto